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Aedes aegypti: como o mosquito mais letal chegou ao Brasil e por que ainda preocupa

17 de maio de 2023Atualizado em 26 de outubro de 2026Por Equipe Detecta10 min de leitura
Capa do artigo sobre animal mais letal do planeta saiba como o mosquito Aedes aegypti chegou.

Ele é pequeno, silencioso e convive com os brasileiros há séculos. Popularmente chamado de mosquito da dengue, o Aedes aegypti é, há mais de cem anos, um dos maiores “inimigos públicos” do país — e continua exigindo atenção de moradores, empresas e condomínios em Americana e região.

Originária do Egito, a espécie transmite várias arboviroses. As mais conhecidas são a dengue, a chikungunya, a zika e a febre amarela.

De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde feito a pedido da BBC News Brasil, 10.096 brasileiros morreram desde 1990 em decorrência de doenças transmitidas pelo mosquito. Em três décadas, foram 9.186 mortes por dengue, 875 por chikungunya e 35 por zika — o que equivale a uma média de 84 óbitos por mês. E esses números não incluem os milhões de pessoas infectadas todos os anos que conseguem se recuperar.

Só em 2022, o Brasil registrou 1.450.270 casos de dengue e 1.017 mortes, o maior número de óbitos desde que eles passaram a ser contabilizados oficialmente.

Do Egito para o Brasil

A primeira descrição científica do mosquito é de 1762, quando ele recebeu o nome de Culex aegypti: “culex” significa mosquito, e “aegypti” faz referência ao Egito, sua região de origem.

Em 1818, os pesquisadores perceberam que suas características morfológicas e biológicas eram mais parecidas com as de espécies do gênero Aedes, e o nome mudou para Aedes aegypti.

Os estudos indicam que o mosquito chegou ao Brasil entre os séculos 17 e 19, a bordo dos navios que traziam pessoas escravizadas do continente africano.

Um detalhe ajudou muito nessa viagem: os ovos do Aedes resistem até um ano sem contato com a água. Isso permitiu que o mosquito encontrasse condições para se reproduzir primeiro nas embarcações e, depois, em território brasileiro.

Segundo a pesquisadora Tamara Nunes de Lima Camara, da Faculdade de Saúde Pública da USP, embora o primeiro caso oficial de dengue no país seja de 1981, há indícios de que o mosquito já era um problema muito antes. Existem relatos de epidemias com sintomas semelhantes aos da dengue em São Paulo, em 1916, e em Niterói, em 1923 — mas o diagnóstico era apenas clínico. A confirmação laboratorial só veio em 1981, durante uma epidemia em Boa Vista, Roraima.

Quando o remédio era o isolamento

Antes de a dengue ser oficialmente confirmada, o Aedes aegypti já preocupava as autoridades por transmitir a febre amarela urbana.

Naquela época, ninguém sabia que a picada do mosquito transmitia doenças. Muita gente acreditava que a febre amarela era passada pelo contato direto com um doente.

Somente no século 20 os cientistas chegaram ao consenso de que os vetores — entre eles o Aedes aegypti — eram os principais responsáveis pela transmissão. Ficou claro, então, que não bastava isolar os doentes: era preciso combater os criadouros dos mosquitos.

Conforme explica Jorge Tibilletti de Lara, pesquisador em história das ciências e da saúde da Fiocruz, foi entre 1905 e 1906 que o médico inglês Thomas Lane Bancroft relatou, na Austrália, que o Aedes aegypti infectado podia transmitir o agente da dengue pela picada. Em 1908, o médico cubano Aristides Agramonte y Simoni confirmou essas observações.

A partir daí, começou no Brasil uma verdadeira “caça aos mosquitos”. Os doentes ficavam isolados em casa, em camas cercadas por uma armação de madeira revestida de tela. No restante da residência, papéis eram colados em todas as frestas para impedir a entrada dos insetos, e era comum queimar pó de piretro, cuja fumaça atordoava os mosquitos.

O dia em que o Brasil venceu o mosquito

Para combater os transmissores da febre amarela — Haemagogus e Sabethes na forma silvestre e Aedes aegypti e Aedes albopictus na forma urbana, cujo último registro foi em 1942 —, o Brasil adotou uma série de medidas na primeira metade do século 20.

Donos de terrenos podiam ser multados se mantivessem criadouros, e até as farmácias eram obrigadas a informar quem estava com febre amarela ou dengue.

A estratégia funcionou, e vetores importantes começaram a ser eliminados do país. O primeiro foi o Anopheles gambiae, transmissor da malária, erradicado em 1940 — antes mesmo de o DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) ser usado no Brasil.

Em 1958, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reconheceu a erradicação do Aedes aegypti no Brasil, resultado de uma campanha muito importante para a cooperação em saúde pública nas Américas. Segundo Gabriel Lopes, pesquisador em história das ciências e da saúde da Fiocruz, a etapa seguinte do esforço continental, conduzida entre 1964 e 1969, terminou sem atingir as metas — e, em 1967, o mosquito voltou a ser registrado no país.

Da febre amarela à dengue

Quando o Aedes aegypti voltou a ser um problema, nos anos 1970, o Brasil era muito diferente do início do século.

O êxodo rural levou milhões de pessoas do campo para as cidades, provocando crescimento urbano desordenado e falta de saneamento básico — condições perfeitas para a multiplicação acelerada do mosquito.

Para Gabriel Lopes, a dengue se espalhou pela América Latina a partir da década de 1980, atingindo 25 países e avançando rapidamente sobre as cidades mais populosas. A volta e a expansão do Aedes aegypti, intensificadas no fim dos anos 1970, foram decisivas para isso. E a permanência do mosquito em áreas urbanas com pouco saneamento abriu caminho para epidemias inéditas no século 21, como as de zika e chikungunya.

O ciclo de vida da espécie também ajuda a explicar por que ela é tão difícil de controlar. Como lembra Tamara Camara, os mosquitos são holometábolos, ou seja, passam por metamorfose completa: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos resistem muito bem ao ressecamento, e o embrião pode continuar viável por até um ano sem água.

O animal mais letal do planeta

Ao contrário do que muita gente pensa, não são tubarões nem cobras: os mosquitos são os animais que mais matam no mundo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 725 mil pessoas morrem todos os anos por doenças transmitidas por mosquitos. Parte da explicação está no fato de que eles estão presentes em praticamente todo o planeta e passam despercebidos.

No caso da dengue, a transmissão só acontece se o mosquito estiver infectado. Ao picar para sugar o sangue, o Aedes libera saliva contaminada e transmite o vírus à pessoa.

O caminho inverso também ocorre: quando alguém na fase aguda da doença é picado por outro mosquito, esse inseto se infecta, e o ciclo de transmissão recomeça.

Segundo Lívia Vinhal, coordenadora de vigilância de arboviroses do Ministério da Saúde, sabe-se hoje que até os ovos de uma fêmea infectada podem nascer com o vírus.

Por que o Aedes é um vetor tão eficiente

De acordo com Jorge Tibilletti de Lara, muitos dos vírus associados ao Aedes aegypti são transmitidos pelo sangue. Eles se replicam no estômago do mosquito, e o sangue humano — alimento preferido das fêmeas — favorece tanto o desempenho do inseto quanto a multiplicação viral.

Outro fator é o hábito de picar várias vezes, de forma discreta, o que aumenta as chances de transmissão. Muitas vezes a pessoa nem percebe o mosquito pousando na pele.

O pesquisador destaca que o Aedes aegypti não é o único mosquito que transmite doenças às pessoas, mas reúne características que o colocam em posição de destaque: usa os seres humanos como fonte de sangue e vive muito próximo deles, em uma área geográfica enorme.

Diferentemente de espécies que preferem matas, o Aedes aegypti se adaptou muito bem às cidades e, por isso, tem mais contato com as pessoas do que outros vetores.

Gabriel Lopes acrescenta que cidades populosas, sem saneamento adequado e atingidas por chuvas oferecem condições excelentes para o mosquito. Áreas urbanas com problemas de descarte de lixo, drenagem deficiente e obras inacabadas ou precárias tendem a concentrar criadouros.

Como combater o Aedes aegypti hoje

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil consideram improvável que o país consiga erradicar o mosquito novamente, como fez há cerca de 70 anos.

Para Lívia Vinhal, o vetor hoje está muito adaptado ao ambiente doméstico. Por isso, o objetivo atual é reduzir a infestação e, com ela, a transmissão dos vírus.

Segundo a OMS, a dengue é endêmica em pelo menos 100 países.

As principais apostas para o futuro envolvem vacinas contra as formas graves da doença e soluções biológicas autolimitantes voltadas ao mosquito adulto.

Mesmo assim, a forma mais eficaz de prevenir dengue, chikungunya e zika continua sendo eliminar os criadouros do Aedes aegypti.

Muita gente acredita que o fumacê é a principal arma contra o mosquito, mas esse método tem eficiência limitada e ainda contribui para que os insetos desenvolvam resistência a determinados grupos de inseticidas.

O que realmente funciona é a combinação de ações: eliminar água parada, usar larvicidas e adotar soluções biológicas, como o Aedes do Bem™. A seguir, conheça essa tecnologia, que apresenta eficácia de 97% no controle do mosquito.

O que é o Aedes do Bem™?

O Aedes do Bem™ é formado por mosquitos Aedes aegypti machos que carregam uma característica autolimitante, desenvolvida pela Oxitec.

Como todo mosquito macho, eles não picam e não transmitem doenças.

Trata-se de uma solução biológica, segura e preventiva que funciona como um controle de natalidade: ao cruzar com as fêmeas selvagens, os machos impedem que as novas fêmeas — responsáveis pela transmissão de dengue, zika, chikungunya e febre amarela — cheguem à fase adulta.

A tecnologia foi criada pela Oxitec na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e está presente no Brasil há 10 anos. Há mais de uma década ela vem sendo estudada por pesquisadores e especialistas, com mais de 100 artigos científicos publicados e autorização dos principais órgãos reguladores no Brasil e no mundo.

A solução pode ser aplicada em residências, condomínios, indústrias e organizações públicas ou privadas de qualquer porte.

Entenda a diferença entre o ciclo tradicional e o ciclo com Aedes do Bem™

A saída mais viável é controlar a população do mosquito transmissor.

Ciclo de reprodução tradicional do mosquito Aedes aegypti
Ciclo de reprodução com o Aedes do Bem

Vantagens do Aedes do Bem™

O Aedes do Bem™ não usa produtos químicos que agridem o meio ambiente e não afeta outros animais: sua ação é específica sobre o Aedes aegypti.

A proposta é impedir o crescimento da população de mosquitos transmissores de dengue, zika, chikungunya e febre amarela dentro da área protegida.

  • Projetos fáceis de ampliar
  • Aprovação da autoridade de biossegurança – CTNBio
  • Controle contínuo e direcionado ao Aedes aegypti
  • Ação como larvicida específico para fêmeas, com 100% de eficácia
  • Característica autolimitante transmitida por até 10 gerações
  • Seguro e sem deixar resíduos no ambiente
  • Disponível para organizações de todos os tipos e tamanhos

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Fonte de referência: BBC News Brasil

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